O Albatroz
rua 9 c/ a 8
descem a rua correndo
o útlimo ultrapassa o segundo que já puxa quem passa sem nem ver quem é
o pedaço de pau arrastando no asfalto e a camisa já toda sem gola de tanto servir de guardanapo
os pés chutam pedra e calcanhares sem limite pra molecagem
o grito que ouve-se de longe é de um chute que não foi intencional
“não queria te machucar”
continua a correria, atravessamos o mundo
em apenas uma quadra
na janela algumas meninas gritam
seis moleques olhando através do sol
eu! eu! eu!
as meninas chamam pra subir, os meninos zoam demais, as meninas zoam de volta, acabou a brincadeira
descem mais, vão descendo a rua e carregando um grande pôster da revista “Cláudia”
FLOR
Sou catadora de palavras.
Aceito as desprezadas.
Caço outras muito raras
que se acham em dicionários.
Aprendi a reciclar
Nos lixões de cada história
há tecidos de palavras
fragmentos encardidos
escondidos em buracos.
Cato a lágrima
Ponho rima
Colho a flor.
Márcia Maranhão De Conti
A Simetria
Simetria confortável
De onde surgiu?
Simetria ergonômica
De onde saiu?
A simetria é tão fria
Assimetria minha filha
Deixe o quadro, até mesmo a cama
Todos desalinhados, desgovernados
Mesmo que fiquem embaraçados
Nós nunca desatados
Confusões frias e nucleares
Difusão de ondas não lineares
Esqueça a simetria
O conforto não é a linha
Alinha teus pensamentos
Nas direções do vento
Para todos os lados
Os mesmos resultados
Quem diria que um dia
Deus escreveria
Até mesmo por linhas retas
Pedro De Conti
minhas frases...
TPM é sempre uma boa notícia… não sei porque as mulheres não gostam…
Venha buscar suas coisas
esqueci de avisar
sua jaqueta ainda está lá
não falei, na esperança de você voltar
pelo menos pra buscar
outras roupas devem ter ficado
talvez um brinco, ou penduricalho
deve ter muita coisa espalhada pela casa
todas suas
volte pra buscar
ainda não olhei direito
mas sei que dentro do meu peito
alguma coisa deve ter também
um sorriso meio de lado
beijos apaixonados
melhor você buscar
não procurei embaixo da cama
mas vou olhar com calma
sussurros e gemidos devem ter por lá
talvez embaixo do lençol
não sei
melhor você voltar pra procurar
já não sei mais diferenciar
das coisas que você deixou, o que era meu
ou seu
até separei um monte de risadas,
carinhos e gargalhadas
que não sei onde guardar
volte pra buscar
leve pra você toda essa tralha
que com essa distância, só me atrapalha
a viver em paz
tropeço pela casa
em momentos e sentimentos
tudo uma bagunça
e não consigo mais arrumar
melhor você buscar
levar
vou juntar tudo numa mala
desde o primeiro encontro até o primeiro beijo
da primeira noite até a despedida
não sei se vai caber
mas dou um jeito
nem que coloque as discussões e tristezas em uma sacola de mão
já que são tão pequenas, sei lá
venha buscar suas coisas
para que eu possa me organizar
ou volte logo pra cá
e me ajude a guardar
tudo em seu devido lugar
eu em você
e você em mim
Pedro De Conti
O que é, o que é?
Se você acreditar Mesmo sem saber o que é…
Se torna mais uma verdade (mentira)
O que exige um pouco de fé
Pra gente poder se livrar
De perguntar o que é…
O que é, o que é?
Sabe de tudo,
Pode tudo,
E está em todos os lugares?
Pedro De Conti
Mulher
Quero uma mulher a qual eu ame
a ponto de escrevê-la uma poesia
E que ela me ame
a ponto de chorar ao lê-la
Pedro De Conti
minhas frases...
primeiro te ensinam a ficar de pé… depois te pedem pra se manter deitado

